Quando a arte traduz aquilo que as

palavras não alcançam

Exposição virtual

As obras aqui reunidas nasceram das vivências e sentimentos compartilhados pelas pessoas afetadas pelas doenças estudadas pelo projeto.

Cada criação carrega fragmentos de memórias, dores ressignificadas, afetos e momentos que revelam a vida para além da doença.

A arte se torna ponte — entre ciência e sociedade, entre sofrimento e cura, entre silêncio e voz.

“O Retorno do Perigo” (2024)

Descrição da Obra

A obra traz a representação de um primata em posição central, simbolizando o risco da transmissão da raiva humana por animais silvestres, retomado após um caso trágico registrado no Piauí, que resultou em óbito após dez anos sem registros da doença. O destaque à figura do animal expõe tanto sua natureza selvagem quanto sua conexão direta com a transmissão zoonótica, refletindo a vulnerabilidade de populações em áreas rurais e de maior contato com a fauna. Ao redor, recortes de jornais e manchetes sobre o caso reforçam a importância da comunicação e, ao mesmo tempo, denunciam falhas no controle e na vigilância epidemiológica. A obra provoca uma reflexão sobre a urgência de políticas públicas eficazes e de educação em saúde, alertando para os riscos do contato humano com animais silvestres e a necessidade de prevenção constante. 📍 Técnica: Colagem analógica.

“Sombra” (2024)

Descrição da Obra

A obra mostra a sombra de uma criança atrás de uma janela, simbolizando o isolamento e a vulnerabilidade de populações em condições precárias. A janela atua como barreira visual e social, representando a falta de acesso a saúde, educação e prevenção em regiões onde a raiva ainda é uma ameaça constante. O plano de fundo traz registros reais de casos de raiva no Brasil, extraídos de documentos oficiais, reforçando a persistência da doença e sua distribuição desigual no território nacional. Essa sobreposição entre a sombra da criança e os dados oficiais cria uma narrativa de urgência, evidenciando o impacto da desigualdade social e da ausência de políticas públicas eficazes. A obra alerta que, sem medidas de prevenção e vacinação acessíveis, a raiva continuará afetando especialmente as populações mais vulneráveis e socialmente excluídas. 📍 Técnica: Colagem analógica.

“Dor Silenciosa, Ação Necessária” (2024)

Descrição da Obra

A obra retrata um homem de cabeça baixa, expressando mal-estar e dor de cabeça, sinais típicos da raiva humana. Suas mãos apoiadas na cabeça evidenciam o sofrimento físico, enquanto a postura curvada sugere fragilidade e desespero, simbolizando o impacto profundo da doença na saúde física e mental. Ao fundo, surge uma ficha de notificação de doença, reforçando a importância do registro e monitoramento dos casos de raiva para subsidiar políticas públicas e estratégias de prevenção. Essa ficha funciona como alerta visual de que a notificação é uma ferramenta essencial para o controle da doença, destacando a necessidade de dados confiáveis e sistemas de saúde eficientes. A mensagem central aponta para a urgência da vigilância epidemiológica e da atuação rápida dos serviços de saúde, como previsto pelo Ministério da Saúde: todo caso suspeito deve ser imediatamente investigado, com indicação de vacina e soro antirrábico quando necessário. 📍 Técnica: Colagem analógica.

“Invasão” (2024)

Descrição da Obra

A obra apresenta um homem de cabeça baixa, com expressão de dor e mal-estar, remetendo aos sintomas da raiva humana. Sua figura simboliza o sofrimento e a vulnerabilidade diante de uma enfermidade grave e muitas vezes fatal quando não tratada. Ao lado, aparecem um morcego e um sagui — animais silvestres reconhecidos como reservatórios da raiva. O morcego representa a transmissão em áreas rurais e de difícil acesso, enquanto o sagui simboliza a circulação do vírus entre humanos e animais. Esses elementos visuais reforçam o papel dos determinantes ambientais e da interação entre seres humanos e fauna no processo de disseminação da doença, chamando atenção para a necessidade de vigilância e prevenção. 📍 Técnica: Colagem analógica.

“O Impacto da Desigualdade” (2024)

Descrição da Obra

A obra aborda a relação entre a raiva humana e seus determinantes sociais, explorando como a desigualdade influencia diretamente a saúde. No fundo, a figura humana com expressão de irritabilidade reflete os sintomas emocionais da doença, enquanto a comunidade representada evidencia a precariedade socioeconômica. A presença do gato, animal frequentemente associado à transmissão da raiva, reforça a conexão entre os fatores ambientais e sociais que favorecem a propagação da doença. Com múltiplas camadas visuais e simbólicas, a colagem convida o espectador a refletir sobre a interconexão entre doenças infecciosas e desigualdades sociais, evidenciando como estas ampliam a vulnerabilidade das populações afetadas. 📍 Técnica: Colagem analógica.

“Se essa rua fosse minha” (2024)

Descrição da Obra

A obra traz a imagem de um cachorro abandonado no meio da rua, simbolizando um dos vetores da transmissão da raiva, especialmente em áreas urbanas onde o controle de animais é falho. A figura solitária e desamparada do animal remete à negligência social e à exclusão, revelando os determinantes sociais da saúde. Ao fundo, um caminhão de lixo surge como metáfora das condições de vida das comunidades vulneráveis, onde a ausência de saneamento básico e o acúmulo de resíduos são comuns. O lixo, associado tanto à poluição ambiental quanto à ausência de políticas públicas adequadas, reforça o risco de doenças zoonóticas e o descontrole da saúde pública. Com sobreposição de elementos visuais, a obra denuncia a precariedade estrutural que perpetua desigualdades, questionando a falta de ações preventivas e de cuidado com os animais, ao mesmo tempo em que alerta para os problemas sociais que favorecem a propagação da raiva. 📍 Técnica: Colagem analógica.
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